Uma cena rara no maior congresso de oncologia do mundo. Mais de 50 mil médicos se levantaram para aplaudir uma descoberta que pode mudar o tratamento de um dos cânceres mais agressivos da medicina. O motivo da emoção foi a apresentação dos resultados de uma nova droga experimental para pacientes com câncer de pâncreas avançado, que já não respondiam às terapias convencionais.
Os resultados impressionaram. Entre os pacientes que receberam o medicamento, o tempo médio de sobrevida quase dobrou: passou de cerca de sete para 13 meses.
Os pesquisadores fazem questão de ressaltar que ainda não se trata de uma cura. Mas, para especialistas que acompanham o câncer de pâncreas há décadas, é um avanço que traz esperança para uma doença que sempre ofereceu poucas opções de tratamento.
A explicação está no mecanismo da nova droga. Ela consegue bloquear uma proteína chamada K-RAS, presente em grande parte dos tumores de pâncreas.
Os cientistas costumam compará-la a um interruptor que controla a multiplicação das células: em condições normais, esse interruptor liga e desliga quando necessário. No câncer, porém, ele fica permanentemente acionado, fazendo com que as células se multipliquem sem controle. Ao bloquear essa proteína, o medicamento consegue frear o crescimento do tumor.
O medicamento tem potencial para ser usado em diferentes tipos de câncer relacionados a mutações da proteína K-RAS.
Segundo os pesquisadores, embora a droga também possa afetar células saudáveis, os efeitos colaterais observados foram considerados controláveis. Apenas cerca de 1% dos pacientes interrompeu o tratamento por causa de reações adversas.
O avanço é especialmente relevante porque o câncer de pâncreas costuma ser diagnosticado em estágios avançados, quando já se espalhou para outras partes do corpo. Considerado um dos tumores mais agressivos da medicina, ele apresenta baixas taxas de sobrevida e poucas opções terapêuticas.
Apesar dos resultados animadores, os pesquisadores fazem questão de moderar as expectativas.
Borad, que participou do estudo, afirmou que o medicamento ainda não representa uma cura, mas sim "a primeira luz em um túnel que parecia sem saída" para pacientes com câncer de pâncreas avançado.
Especialistas ressaltam, porém, que o Daraxonrasib ainda precisará passar pelos trâmites regulatórios antes de ser disponibilizado de forma ampla. Nos Estados Unidos, o medicamento já recebeu autorização para uso em situações específicas nas quais não existem alternativas de tratamento.
Dados da Anvisa mostram que mais de 1,4 mil estudos clínicos foram autorizao obtido com o Daraxonrasib pode abrir caminho para uma nova geração de medicamentos contra tumores associados à proteína K-RAS.
Fonte: G1

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